Haroldo de Campos

 

 

 

 

 

 

 

 

German Lorca (São Paulo SP 1922). Fotógrafo. Forma-se em ciências contábeis pelo Liceu Acadêmico, em 1940. Em 1949, participa do Foto Cine Clube Bandeirantes – FCCB, associação de fotógrafos que introduzem novas tendências na fotografia, como José Yalenti, Thomaz Farkas (1924) e Geraldo de Barros (1923 – 1998). Nessa época produz imagens que se tornam muito conhecidas, como Malandragem, 1949, À Procura de Emprego, 1951, e Apartamentos, 1952. Registra a paisagem da cidade de São Paulo, em especial os locais da região central, como a praça da Sé. Abre estúdio próprio em 1952. Em 1954, é o fotógrafo oficial das comemorações do IV Centenário da Cidade de São Paulo. A partir dessa data, dedica-se com exclusividade à fotografia, atuando principalmente na área de publicidade, em que conquista prêmios como o Prêmio Colunistas, concedido pela revista Meio & Mensagem, em 1985 e 1989. Sua produção da época do FCCB é comentada no livro A Fotografia Moderna no Brasil, de Helouise Costa, publicado em 1995, pela editora da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ.
Comentário Crítico
No fim da década de 1940, German Lorca integra o Foto Cine Clube Bandeirantes – FCCB, associação importante por reunir fotógrafos pioneiros, que introduzem novas tendências na fotografia brasileira, com uma produção experimental inspirada no surrealismo, abstracionismo e concretismo.
Como nota a estudiosa de fotografia Helouise Costa, Lorca discute em suas obras o conceito de fotografia associado ao registro fiel da realidade, demonstrando que esse real necessariamente passa por uma codificação para se tornar imagem.
Sua obra revela, sobretudo, um olhar arguto sobre a paisagem da cidade de São Paulo entre o fim da década de 1940 e início da seguinte, ao registrar locais como a praça da Sé, o parque dom Pedro ou o largo da Concórdia. Algumas fotografias abordam questões sociais, como em Revolta de Passageiros, 1947 e À Procura de Emprego, 1951, ou personagens de grande força expressiva, como aqueles de Armazém em Jaú, 1949 e Fotógrafo – Largo da Concórdia, 1956, imagens que se assemelham a instigantes fragmentos de uma narrativa. Já em Apartamentos, 1952, destaca-se a geometria rigorosa expressa na arquitetura e o intenso jogo de luz e sombra.
A sensibilidade do fotógrafo volta-se principalmente às cenas da vida cotidiana, registrando com muita liberdade imagens que se revelam poéticas ou que causam certo estranhamento. Sua produção inicial tem uma participação decisiva na renovação da fotografia moderna no país.

 

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