Alguns quadros de pintores pernambucanos estão sendo reconhecidos e valorizados, como Cícero Dias e Vicente do Rego Monteiro

Lúcia Costa, da Galeria Amparo 60, diz que a arte se torna investimento quando se acerta na compra e fala do prazer que é ter uma obra de arte / André Nery/JC Imagem
Lúcia Costa, da Galeria Amparo 60, diz que a arte se torna investimento quando se acerta na compra e fala do prazer que é ter uma obra de arte
André Nery/JC Imagem
Da Editoria de Economia

Em tempo de incerteza na economia, há um investimento difícil de se perder dinheiro: obras de arte. Quadros de pintores latino-americanos e brasileiros estão valorizados no mercado internacional e brasileiro. Telas de Vicente do Rego Monteiro e de Cícero Dias, por exemplo, estão sendo vendidos na casa dos milhões, como ocorreu há dois meses, em São Paulo, com Fuga pro Egito, de autoria de Vicente do Rego Monteiro, comercializada por R$ 2 milhões.

Como todo investimento, a arte requer cuidados e conhecimento. “A obra de arte vira investimento quando o artista se torna conhecido, entra para as grandes coleções, tem obras em museus nacionais e até internacionais. A partir daí, um quadro desse artista se torna ativo financeiro”, conta o sócio da GaleriaSete, Thomaz Lobo. Ele cita também que quadros de Cícero Dias já foram comercializados por R$ 2 milhões.

A arte, segundo Thomaz, não é um investimento linear. Por isso, é interessante quem vai fazer isso conversar com curadores, galeristas renomados ou ter uma assessoria de alguém que tenha conhecimento do mercado.
Também sócio da GaleriaSete, Daniel Maranhão diz que o mercado de arte é seguro e ganha de longe da inflação, principalmente se o quadro for de um artista já reconhecido pelo mercado. “O artista recém-lançado é um risco maior. No entanto, se der certo é um lucro também maior”, conta. “Arte não é só investimento. As pessoas de classe média que desejam comprar um quadro, devem adquirir a que lhe agrada, porque escolher certo é um dom que pode se aperfeiçoar com estudo”, conta.

Daniel também argumenta que existem fundos que vendem títulos relacionados à arte contemporânea e cita como exemplo, o Brasil Golden Art (BGA), do Banco Plural que considera que a arte brasileira está com “prestígio e visibilidade nos mercados nacional e internacional, representando um excelente investimento a médio e longo prazo”, como diz o site da instituição. Nesse tipo de fundo, o cliente compra uma cota e depois recebe o lucro, quando os quadros são vendidos.

Outras dicas que também influem na valorização dos quadros é a técnica utilizada pelo artista. “Geralmente, é mais valorizado o óleo sobre a tela. A pintura sobre papel é menos valorizada”, argumenta Daniel, acrescentando que a precificação é complexa porque é um mercado desatrelado do mundo convencional. Por exemplo, as gravuras em papel se valorizam quando são feitas com uma tiragem limitada. “Geralmente, as gravuras de Samico eram numeradas e se valorizavam”, diz.

“A arte vira investimento quando se acerta na hora de comprar. O tempo é relativo porque essa valorização pode ocorrer a médio e longo prazo. Há artistas que são descobertos e um ano depois já estão em boas coleções e museus”, argumenta a galerista Lúcia Costa, da Amparo 60. Filha da arquiteta Janete Costa, ela defende que a arte popular também tem peças que se valorizam, se tornando investimento. “Nunca se perde comprando arte. O importante é ter o prazer de ter uma obra de arte por perto. Às vezes, tem quadro que passa um tempo grande para ser vendido até que chega uma pessoa e se encanta”, revela.

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