Parece que faz muito mais do que sete meses que a venda do NFT do artista Beeple, por 69 milhões, colocou em evidência um mundo até então explorado de maneira mais discreta. Blockchains, criptomoedas e metaverso pareciam, para boa parte das pessoas, algo bastante distante, dignos de livros ou filmes de ficção científica. Muitas perguntas e especulações emergiram desde então, mas ao contrário de algumas previsões mais pessimistas, esse mundo paralelo continua vivo e cresce a cada dia.

Em uma entrevista para a Época Negócios, a futurista (veja só, ela não é vidente!) Amy Webb foi bastante categórica: “Eu acredito que, daqui a dez anos, vamos olhar para o metaverso da mesma maneira que olhamos hoje para a internet. Ninguém fala mais sobre a internet, ela apenas existe. Quando falamos em metaverso, estamos nos referindo a diferentes tecnologias que simulam ou recriam experiências do mundo real de maneira imersiva, com a adição de novos elementos. Há um leque de ferramentas envolvidas. Além da alta conectividade, são necessárias tecnologias como realidade aumentada, realidade virtual e ainda realidade reduzida – quando você tira coisas do ambiente real para simular uma situação”.

Não por acaso o Facebook está passando por uma reformulação de sua marca e o foco de Zuckerberg é o metaverso. A previsão do anúncio do resultado deste rebranding é dia 28/10, mas pode ser que saia alguma coisa antes dessa data. O Facebook tem passado por um pesado desgaste de imagem desde os escândalos relacionados ao uso indevido dos dados dos usuários. Para a construção desse metaverso, que de acordo com a empresa deve ser feito de maneira responsável, o Facebook deve contratar cerca de 10.000 pessoas, só na Europa, e já confirmou um investimento inicial de US$50 milhões. O metaverso é visto como o próximo passo para todas as empresas de tecnologia e, especificamente para o FB, é uma oportunidade de “recomeço”.

 

metaverso

 

Quem também já está no metaverso é a Sotheby ‘s. A tradicional casa de leilões lançou uma plataforma de arte digital chamada Metaverse. De acordo com o site Hype Art “o novo marketplace NFT é apoiado por uma lista de celebridades e artistas digitais como Steve Aoki, Paris Hilton, Pranksy e straybits. O objetivo da Sotheby ‘s é criar um ponto de encontro para o mundo dos artistas digitais, entusiastas do NFT e colecionadores. Tendo entrado no jogo no início do ano, a casa de leilões pretende usar sua ‘experiência e curadoria para o crescente mundo, dentro da arte, das obras que são originalmente geradas em meio digital’, disse o diretor administrativo da Sotheby’ s, Sebastian Fahey”.

E por falar em NFT’s, no Japão a blockchain tem ajudado o mundo dos mangás. Conforme matéria do Financial Times “a tecnologia Blockchain está atribuindo um novo valor comercial à cultura japonesa de mangá e anime, transformando ilustrações em obras de arte genuínas, arrecadando dinheiro para artistas e promovendo o crescimento do mercado e negócios relacionados”. A possibilidade de verificar a autenticidade e demais informações sobre as obras é uma grande conquista, além de preservar esses desenhos para as futuras gerações.

As possibilidades para artistas, colecionadores e empresas continuam em crescimento. A redução de barreiras de entrada para artistas e a soberania proporcionada pelos NFT’s são apenas alguns dos pontos positivos trazidos por essa nova tecnologia, mas talvez sejam os principais. O físico não elimina o digital e vice-versa. São caminhos que seguem lado a lado promovendo complementaridade e democratizando um pouco mais a arte.

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